quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Uruguay


Já tinha ouvido falar das ondas e das belezas do nosso vizinho Uruguai. Verifiquei o mapa e constatei que a distância entre a praia de Albatroz, onde me encontrava, e a cidade de La Paloma era razoavelmente pequena, se o trajeto fosse feito pela temida estrada do inferno a distância seria menor ainda do que feito pela tradicional BR 116.
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Decidi que estava na hora de conhecer las olas uruguaias e comecei a planejar a trip, primeiramente os gastos, depois as informações necessárias, os documentos e por último, a pior parte, achar amigos que estivessem dispostos a encarar a surf trip. Comecei convidando aqueles que eu achava que teriam mais chances de embarcar na aventura, na primeira tentativa geralmente todos aceitam, mas quando vai se aproximando o dia da partida a maioria vai desistindo, essa é uma coisa quase certa quando o assunto é surf trip.
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Resumindo, convidei todos os meus amigos e todos eles deram para trás, então não querendo desistir tão fácil, convidei o meu mais fiel companheiro de viagem, o lendário Pretinho Penê, como eu estava com pouco dinheiro e sabia que ele estava totalmente descapitalizado resolvi deixar para convida-lo só em último caso.
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Motivados mais pela raiva dos amigos que não quiseram ir do que pela coragem, partimos rumo ao Uruguai, a bordo do indubitável Unera, o pretinho tinha trinta reais no bolso e eu um pouco mais que isso, o tanque de gasolina estava cheio, tinhamos comida suficiente para cinco dias e estávamos equipados com um velho fogão de camping.
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O Pretinho não demonstrava medo algum e seu incomparável estilo "deixa a vida me levar" até que me acalmava um pouco, já que eu estava com um pouco de medo dos perigos que estavam por vir. Encaramos rindo e felizes a tão mal falada estrada do inferno, sempre acreditamos no potencial do fiat uno, porém, a cada buraco que passávamos a nossa gratidão para com ele aumentava. Saímos de Albatroz às seis da manhã e chegamos em La paloma às dez e meia da noite, sem esquecer que chegamos de noite em um país totalmente desconhecido para nós.
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Ficamos dois dias na cidade de la Paloma, hospedados em uma cabana, que graças ao meu portunhol conseguimos pagar apenas 15 reais por dois dias de estadia. Conhecemos todas as praias daquela região e surfamos boas ondas na praia de La Aguada.
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Depois passamos mais três dias surfando na região do forte de Santa Tereza, vale a pena contar que durante esses três dias dormimos dentro do carro, já que o dinheiro estava quase no fim e tinhamos que voltar para casa.
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No sexto dia a comida acabou e nós já satisfeitos por conseguirmos conhecer quase todo o litoral Uruguaio, decidimos fazer a travessia de volta para a casa, mas não sem antes, com os últimos trocados, comprar uma garrafa de tequila nos free shops do Chuy.
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Essa foi a minha primeira trip para fora do país e sem dúvida aprendi muito com ela. As coisas nunca acontecem exatamente do jeito planejado, mas com coragem, vontade e um pouco de sorte podemos ir muito longe.
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Valeu Pretinho, Alma Surf sempre!!!
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Viva!!

domingo, 10 de agosto de 2008

Bad Trip



Acredito fielmente que ser surfista vai muito além das habilidades em cima da prancha. Ser surfista para mim significa gostar, curtir, amar ou adorar a sensação de estar sobre uma prancha andando em uma onda.

Pois meu brother Duda Arnhold, surfista de alma de Albatroz, mostrou que a adoração pelo surf beira a insanidade ao surfar quatro dias com a vertebra l1 fraturada, após um tombo em uma escada.

Estávamos curtindo uma surf trip pelo norte de Santa catarina e foi impressionante assistir um brother surfando mesmo sentindo dor e pontadas, que o deixavam quase imóvel por alguns instantes. Entre berros e caretas ele surfava boas ondas, realmente aproveitou a trip, a vontade e o instinto de surfista venceram a dor, venceram a fratura, ou seja, venceram a maldita escada!!

Apesar de tudo consegui enxergar uma coisa boa naquela situação, ou seja, fiquei feliz em ver que o espírito do surf falou mais alto, pois existem muitos surfistas, porém, poucos surfistas de alma.


Duda Arnhold essa atitude foi Trunk!!

Alma Surf Sempre!!

Viva!!

domingo, 3 de agosto de 2008

Surf Trip




Surfistas são viajantes por natureza, não se contentam em surfar sempre as mesmas ondas, possuem ou deveriam possuir um espírito aventureiro, espírito esse que os levará para lugares desconhecidos.
Surf trips são aventuras idealizadas por surfistas que buscam encontrar ondas diferentes e inevitavelmente passar por situações e momentos que serão lembrados para sempre, vivências boas e ruins.
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Viagens tornam as pessoas mais experientes e ricas em cultura, lembrando que experiência não é o maior número de anos de vida, mas sim o maior número de situações vividas.

Li uma vez em um livro argentino chamado el hombre mediocre, que ganhei do meu pai, a seguinte frase:
"não vive mais aquele que conta o maior número de anos e sim aquele que vive, aprende e conhece o maior número de situações e momentos da vida"
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Viajar é viver, é cultura, é sem dúvida, um prazer!
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Viva!!

Kim Miranda e as pranchas Sparrow


Comecei a surfar aos onze anos de idade, junto com meu amigo Ipojucã Chavez na praia de Albatroz. Sempre me mostrei curioso em relação a teoria e fabricação das pranchas de surf, até que com quinze anos de idade resolvi, com o apoio do meu pai, tentar shapear a minha primeira prancha.

Após dois meses de estudos e pesquisas fiz uma 5´2, rabeta round swallow, verde escuro e olhando de longe parecia uma piranha louca.

Hoje tenho vinte anos e estou prestes a terminar minha prancha de número oitenta, já shapei para quase todos os meus amigos e para surfistas experientes, meu brother Ipojucã Chavez já ganhou alguns campeonatos usando uma de minhas pranchas e eu já surfei com elas em todo o litoral gaúcho, catarinense, no Uruguai e pretendo, ainda esse ano, usá-las no Peru e no Chile.

Viva!!